Aos olhos modernos, o que se passou na Páscoa seria a única história insuportavelmente obscena.
Mas os olhos modernos não vêem nada, e os dos católicos também já não. Os católicos passaram anos e anos a falar da Presença do Sangue como uma celebração, um símbolo. Uma coisa que não sujasse as suas igrejinhas adocicadas, as suas talhas douradas, os seus anjinhos obesos.
A mim estes dias trazem consigo o odor. Há sangue a correr de um corpo morto, e água a correr. Não, não sou mórbida. Há o Sangue, ou não há Nada.
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