Fátima é uma coisa que me atrai e que me afasta. Não gosto do sítio, não gosto da imagem da "virgem", não gosto das multidões. Não gosto dos bem-comportadinhos a dar conselhos. Mas também não gosto da zombaria que os tolos lhe fazem. Nunca gostei de troçar.
Atrai-me a história, e não a lenda. Atrai-me a verdade, e não a devoção.
As explicações dos padres não são explicações nenhumas. As explicações dos ateus são um insulto à inteligência. A minha bisavó viu o sol a dançar, e com ela viram milhares de pessoas. Houve pessoas que falaram de um "carro" no céu. Alguns dias antes do primeiro dia, surgiram mensagens estranhas em jornais: "135917", "Stella Matutina". A Senhora não mexia a boca a falar. O inferno, lugar para onde vão os "pobres pecadores" (pobres como?). Ninguém sabe o que se passou em Tuy. A aurora boreal, o "sinal do céu", apareceu poucos dias antes da tomada de poder por Hitler, e afinal a igreja diz que o mal estava na "Rússia". Sem quase se dar por ela, a "imaculada conceição" é substituida pelo "imaculado coração" (e que diferença, para quem saiba ver). Peças soltas do maior puzzle da história.
E continuo a acreditar que é possível encontrar a estratégia do Mal. E que as Plêiades vencerão a Ursa. Dizendo isto, percebo que não tenho como o dizer. Como o explicar. Como entendo a Lúcia (o imenso significado dos nomes dos três pastores, que nunca vi a Igreja reconhecer). Como entendo. Sim, há uma estratégia das Trevas. E daí? Qual é a estratégia de mim?
14 comments:
Olá, Hellena.
Sim, a mim falta-me uma leitura frontal do sinal de Fátima. Tens investigado o assunto?
“Qual é a estratégia de mim?”
Nesta interrogação começa a aquisição da alma por si própria (há um texto brilhante de Kierkegaard acerca de tal, que foi agora editado pela Assírio e Alvim, infelizmente com um aparelho crítico de notas que se ergue mais como escolho do que como esclarecimento, pedante até mais não.O que não quer evidentemente dizer que não tenha lá coisas importantes e interpelantes…)
Um abraço
Olá, Vitor. Uma leitura frontal? Boa maneira de pôr a questão! Há alguns dados interessantes facilmente disponíveis, mas dados não são informação. Li há pouco tempo o livrinho do Padre João de Marchi, e mesmo lá há histórias bem curiosas; outras foram, diz-se, censuradas pelo Padre Formigão. Mas não dispomos de uma teoria para interpretar o conjunto. Ou talvez sim, eu creio que sim.
Fátima pertence a um conjunto de "aparições" marianas (a palavra "aparições" é tecnicamete imprópria) e essas, goste-se ou não, a um conjunto maior de coisas. Au coeur couronné percé d'une flèche :)
Nunca li Kierkegaard. Como se chama esse texto?
O texto chama-se « Adquirir a Sua Alma na Paciência » e está editado naquela colecção de textos cristãos da Assírio e Alvim, dirigida pelo Tolentino Mendonça. Custa 20 e tal euros… ;) Trata-se dum dos « Discursos edificantes de 1843 », e também é um dislate editorial sacar de lá apenas um deles. Se calhar estão a fazer prospecção de mercado, a ver se o rapaz dinamarquês se sustenta financeiramente… ;) Pior é « O banquete » da Guimarães, ou o mesmo texto mas com o título original « In vino veritas » da Antígona, que é a primeira parte dum tríptico escrito por três pseudónimos, e com mais outro lá dentro como personagem, autor doutro texto escrito e editado anteriormente (« A repetição » de Constantin Constantius) ; este tríptico chama-se « Estádios no caminho da vida ». Isto para veres que toda esta estruturação polifónica é essencial na obra do moço (Aprendi tudo com Mozart, dizia), e que a atitude editorial deveria evidentemente tê-la em conta. Diga-se, agora em abono dos tradutores e notadores, que nesta edição da Assírio e Alvim, as notas não deixam escapar tal. Também, são 30 páginas de texto, e 200 e tal de notas e posfácio… ;)
Seja como for, verdade seja dita, a vida editorial em Portugal é difícil…
Quanto a Fátima e quejandos, os pareceres e investigações oficiais do magistério vaticano tendem sempre a esbater as particularidades para realçar o já-dado cristão. Rezem muito e entreguem o mundo ao coração de Maria… O que até se compreende. Têm sempre um grande cuidado em confirmar experiências místicas, geralmente aferindo apenas se têm algo de contrário à doutrina – embora Fátima, Lourdes etc sejam casos especiais, por diversas razões.
Obrigado. Talvez consiga lê-lo mesmo numa livraria, sem notas... E fico atenta a edições francesas, que são mais baratas.
Quanto a Fátima (deste ponto de vista), a minha curiosidade começou com a afirmação de um autor francês, da linha tradicionalista/guenoniana, que considera uma impostura os factos de 1915-17, mas verdadeiros os de Tuy. Impostura não no sentido habitual (impostura clerical) mas como provindo de celui qu'il ne faut pas nommer. Não penso que seja tal. Mas é curiosa a coincidência com inúmeros relatos (posteriores) de visões de OVNIS (que ele, e nisso eu concordo, coloca num plano bem "ultra" - ou "infra" - e não "extraterrestre"). Talvez o mais fascinante depoimento seja o dos padres, referidos pelo P.e Marchi, que em Setembro ou Outubro de 17 chamaram ao que viram "o carro que trouxe Nossa Senhora do céu". Era um disco voador igualzinho ao dos filmes americanos.
Huuum... pressinto que deves gostar da irónica dinamite do pseudónimo Johannes Climacus... :)
"Les miettes philosophiques" colecção Points da Seuil.
"Post-scriptum définitif et non scientifique aux miettes philosophiques" colecção Tel da Gallimard.
O texto tem mais ou menos cem páginas, e o post-scriptum 600 ;) O que faz um eco curioso à tradução do Ferro e do Carvalho... e reitere-se que as notas têm focos pertinentes, mau grado a sobranceria.
E vou ver se encontro esse Padre João de Marchi.
Muito obrigada, Vitor. Quem é o Johannes Climacus?
O livro do P. Marchi tem muitas edições, de Fátima mesmo. Chama-se "era uma senhora mais brilhante que o sol". Foi escrito nos anos quarenta.
Depois há os livros da Fina d'Armada. Tirando a obsessão dela com os ET, tem interesse. Teve acesso aos arquivos do Pe Formigão, que fez o interrogatorio aos videntes, publicando coisas que o P.e deixou ineditas.
Nas aparições do ANJO há imensos pontos muito escuros. E segundo a Lucia há mais uma serie de crianças que o viram. Eu pelo menos nao sabia disso.
Os católicos nao podem admitir que haja uma evolução no próprio ensinamento, pois nao? Quero dizer, nao na compreensao dele mas no seu proprio conteúdo.
As edições do Kierkegaard devem ser muito recentes, eu só tenho possibilidade de comprar o que encontro na gandaia :)
Bem Johannes Climacus é um pseudónimo de Kierkegaard, e um fino ironista (vem esclarecer a cristandade acerca do sentido do cristianismo, e precisamente não sendo ele próprio, Johannes… cristão ;) Significa tal, não uma mera brincadeira, mas um sinal de que a ironia, que em si se constitui na distância e na não-implicação do sujeito, apenas pode preparar para a experiência espiritual, mas não a pode constituir). Ecoa um monge do séc. VI, João Címaco, que escreveu uma coisa chamada « Scala Paradisi », que podes encontrar aqui :
http://www.livres-mystiques.com/partieTEXTES/Climaque/Table.html
Quanto às traduções das edições que referi não são nem recentes nem académicamente sérias ;) Foram feitas por um tipo chamado Paul Petit, que apenas ia traduzir uma parte, e depois acabou por traduzir tudo. Acabou-as na prisão, antes de ser fuzilado pelos nazis. Se quiseres traduções mais estudadas e pensadas, aí sim, terás de ir às edições mais recentes (há por exemplo uma já em bolso d « A repetição » por uma moça chamada Nelly Viallaneix ou algo assim, « La reprise » na Garnier-Flammarion). Assim como a famigerada do Ferro e do Carvalho…
Para aferires da seriedade do Paul Petit, olha o que ele introduziu no seu prefácio ao « Post-scriptum (…) » :
" Connaissance voyageait dans le Nord, au pays des Eaux Obscures, et gravissait la montagne Vertigineux Secret. Elle rencontra par hasard Silencieux Non-Agir.
Connaissance ouvrit la bouche et dit : " Je voudrais te poser une question. Que doit-on avoir dans l’esprit, que doit-on penser pour connaître le Tao ? Que doit-on faire ou ne pas faire pour reposer dans le Tao ? Quelle route doit-on prendre pour arriver au Tao ? "
Trois fois elle posa sa question, mais Silencieux Non-Agir ne répondit pas. Non pas qu’il refusât intentionnellement de répondre, non, il ne savait pas quoi répondre. Connaissance ne pouvait insister davantage et se retira. Elle arriva dans le Sud, au pays des Eaux Claires, et gravit la montagne Fin du Doute. Elle aperçut Etourdi. Connaissance lui posa les mêmes questions.
Etourdi dit : " Oh ! je sais, je vais te le dire. "
Mais, juste au moment où il allait parler, il oublia ce qu’il voulait dire, et Connaissance ne pouvait continuer à l'interroger ; alors elle se rendit au Palais Impérial et posa sa question à Hoang-ti (le Seigneur de la Terre jaune).
Hoang-ti répondit : " Ne rien avoir dans l’esprit, ne rien penser, ainsi on connaît le Tao ; ne rien faire ni empêcher, ainsi on repose dans le Tao ; n’avoir aucun point de départ et ne prendre aucune route, ainsi on atteint le Tao. "
Connaissance dit à Hoang-ti : " Nous savons cela tous les deux, les deux autres ne le savaient pas. Qui est dans le vrai ? "
Hoang-ti répondit : " Silencieux Non Agir est absolument dans le vrai ; Etourdi le suit de près ; quand à nous, nous en sommes à mille lieues. "
Connaissance demanda : " Comment cela ? "
Hoang-ti répondit : " Silencieux Non Agir est dans le vrai parce qu’il ne sait pas ; Etourdi le suit de près parce qu’il a oublié ; Nous deux en sommes à mille lieues parce que nous savons. "
Etourdi eut vent de cette réponse, éternua, et fut d’avis que Hoang-ti parlait bien. "
Penso que estas coisas e outras acabam por aparecer na gandaia, se se estiver atento ;)
Quanto a essa dos católicos não aceitarem evolução no ensinamento é um pouco complexa, e este comentário já vai muito longo… O que é ponto assente é que a revelação divina tem a sua plenitude em Jesus Cristo; por outro lado, a noção de tradição, que consiste no esclarecimento e aprofundamento da revelação, implica evidentemente evolução. Há também o aspecto do Deus estar vivo e actuante, e não se fechar ou reduzir a textos e livros, ou a um suposto passado qualquer.
Bem, e vou estar atento à gandaia, para não deixar escapar isso da Fina D’ Armada…
Um abraço
Ah, para que conste: não há indistinção nem melt pots religiosos em Paul Petit, mesmo que sendo católico tenha traduzido um protestante e citado a « Apologia de Tchoang-tseu » no prefácio… Assumir ecos e sinais não é afirmar correspondências directas, mas isso… só lendo mesmo o prefácio ;)
Gostei do Paul Petit... Obrigada.
Eu não sei se fui clara na outra questão. Pergunto-me se poderiam admitir que as coisas tenham um momento próprio. Por exemplo, a Trindade não era conhecida dos judeus. O culto da Virgem não começa logo. No fundo, se além de tomar conta das ovelhas, conduz o rebanho para algum lado, mesmo neste mundo. A Lucia diz que a Senhora a mandou aprender a ler, por exemplo.
Os católicos viam muitas das coisas do mundo (o cinema) como "coisas do diabo". E se houvesse "coisas de Deus" que parecem ser coisas só nossas?
Eu acho que há.
Obrigado também pelas referências, nem conhecia a da Fina d' Armada. Sei muito pouco acerca dos estudos e acontecimentos em redor das aparições de Fátima.
E foste clara, foste, eu é que se calhar não… A noção católico-romana de Tradição é precisamente essa admissão do momento próprio: o aprofundamento da revelação cristã, aprofundamento esse que é feito em comunhão com o espírito de Deus, garantido pela chave petrina e pela sucessão apostólica.
O Paracleto conduz o rebanho, claro.
Curiosamente, o culto da Virgem começa logo, sim, mas de forma “herética”, isto é, com sérias reservas e resistências episcopais. Sobretudo porque tendia para uma sacerdotização de Maria, a que teria que corresponder uma sacerdotização da mulher, embora distinta da do homem. Granel similar voltou à carga com o amigo Lutero, e está agora reavivado com o conceito de co-redemptora, que é uma “contra-reforma” católica, que lhe retira toda a virtude sacerdotal para elevá-la em virtudes cooperantes e colaborantes.
Todas as coisas são de Deus, incluindo o diabo. A questão é, se na nossa relação com elas, desviamos ou afastamos a nossa vontade da divina (acerca de tal já no AT, o relato genésico do pecado original e o Livro de Job são pérolas, e no NT, todos os diálogos de Jesus com e acerca dos demónios…)
Percebo, claro, a ideia de “coisas de Deus” que parecem só nossas. Voltando aos católicos romanos, a resistência a experiências místicas e interpretações de mistérios posteriores à encarnação não tem bem que ver com uma negação, mas com uma intensificação das prioridades. Um pouco e pastoralmente: o que mais importa é a salvação, e esta, em sentido genérico, está suficente e infinitamente fundada no verbo incarnado. Todo o acrescento pessoal ou comunial vale ou não vale enquanto a esse fundamento conduz e orienta. Até porque, precisamente por ser “regional” resiste-se a torná-lo “católico”, universal. Por isso é que Fátima é tão confirmada pelo papado (sobretudo e como se sabe, por João Paulo II) e simultaneamente não é dogma de fé, isto é, para ser-se católico-romano não se requer crença nas aparições.
Sei também que agora, no 90.º aniversário das aparições de Fátima, saiu uma Enciclopédia de Fátima", editada pela Princípia, que pretende que seja um estudo multidsiciplinar acerca das aparições, em que um dos coordenadores é o bispo católico Carlos Azevedo. Sei também que há um estudo, completamente a revés da interpretação ou reescrita magisterial (isto não é uma boca, ler, palavras ou factos, é sempre reescrever, o que não implica necessariamente escrever por cima apagando;) do Moisés Espírito Santo ("Os Mouros Fatimidas e as Aparições de Fátima" editada pelo Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões da U.N.L.) que também não li. Bem, e também nem sequer folheei ou tive nas mãos a enciclopédia, mas é capaz de te interessar. Tem 650 páginas, e não faço a mínima ideia qual é o preço (não sei bem porquê, mas suspeito que não deve ser um « preço para o povo » ;) e isto é chato não só por causa da carteira, mas porque indirectamente, esta coisa dos preços altos limita a presença das obras na gandaia ;)
PS : Estas coisas da catolicidade e do magistério romano dão panos para muitas e diversas mangas…
"When I speak of a control system for planet earth, I do not want my words to be misunderstood: I do not mean that some higher order of beings has locked us inside the constraints of a space-bound jail, closely monitored by psychic entities we might call angels or demons. I do not propose to redefine God. What I do mean is that mythology rules at a level of our social reality over which normal political and intellectual action has no power.”
Now, if you go to the movies while the movie is playing, it’s suddenly different because now it is a sensory experience—you see it; you react! It speeds up your heart, and does all kinds of physiological things to you. But does it mean that Bambi exists?
Of course not. There is a basic flaw in that level of analysis, and I think that’s a pitfall in which the whole of UFOlogy, especially American UFOlogy, has fallen. There is only a first-level reading.
Instead of looking at the screen, what I want to do is to turn around and look the other way. When we look the other way what we see is a little hole at the top of the wall with some light coming out. That’s where I want to go. I want to steal the key to the projectionist’s booth, and then, when everybody has gone home, I want to break in. And what you find there is a meta-system.
It’s a system of wheels that can generate anything you want—Bambi, Rambo, “Close Encounters”… That’s my next project; I would like to play with the projector. One way to do that would be to interfere with the phenomenon itself. I think if you did that you would force it to react…If it’s a control system, then there is a feedback loop somewhere. Once you find the feedback loop then you can screw around with it.
I think that the basic breakthrough for me is to understand that the UFO phenomenon is not a system. If it was a system, we could probably understand it. We’re very good at analyzing systems whether they’re social systems, hardware systems, or physical systems. I think we’re not getting anywhere because we need to look at a phenomena not as a system but as a meta-system"
Jacques Vallée
Talvez com esta longa citação o que eu quero dizer fique mais fácil.
Huuuum… vou divagar… mas experimentalismos com o projector podem ser perigosas. Unir o xamã ao templário, e nessa união pretender fundar conhecimento e prática, não vai lá com “matins des magiciens”… ou pelo menos eu não vou lá… suspeição suficiente me habita… fora da representação e apresentação (seja a senhora mais leve que a copa das árvores, seja o pequeno quanta ou inominável pulsão), do conceito e da análise… algo se dá, claro.
Mas não me parece assim tão evidente que o que extravasa os modos de representação e apresentação não seja sistémico. Também a formiga não apreende o humano. É uma hipótese, claro. Smash the control, dizia o tio Bill. Mas depressa se apercebeu da cadeia processual, e que por trás de cada smash novo controlo opera. Ou se preferirmos, é a outra hipótese. Até porque o próprio smash, ou movimentação da câmara… pode ser sistémico. E falamos de sistema universal ou de sistemas regionais (o exemplo da sala de cinema não é muito claro)?
Fiquei curioso com esse Jacques Vallée, que não conheço. Astónomo, informático… huuum, é capaz de ter coisas interessantes.
As teses do Jacques Vallée (de que só conheço o que há na net, que é pouco) são muito interessantes, e algumas delas afloram, mais ou menos escondidas, no filme "encontros imediatos" do Spielberg (pormenores que se não enquadram na história principal, "coincidências" como a de os Extraterrestres surgirem na Devil's Tower sob a constelação da Ursa Maior, sempre associada a celui qu'on ne nomme pas).
Um dos personagens do filme (o cientista francês) retrata-o. Mas Spielberg fez um filme sobre astronautas extraterrestres, coisa em que Vallée tinha deixado de acreditar Há muito tempo.
Um exemplo que talvez Vallée considerasse como um abanão no "projector" é o dos acontecimentos de Fátima a 13 de Agosto, com Lúcia e os primos sequestrados em Ourém.
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