Monday, May 28, 2007

Mapas

"A forma sistemática como verificava os dados havia-a tornado conhecida entre os colegas. Mas já mesmo enquanto rapariga sentira a necessidade imperiosa de saber sempre onde se encontrava, o que a levara a escolher ser piloto e, mais tarde, astronauta.

- Só os rapazes é que sabem dizer onde fica o Norte - diziam-lhe as outras crianças com a certeza de uma sabedoria passada - As raparigas só sabem compreender as pessoas.

Teresa não costumava ligar muito às tradições sexistas. No entanto, aquela parecia explicar muita coisa - por exemplo, a sensação que nunca a abandonava que todos os mapas tinham sempre qualquer coisa de errado."

David Brin, Earth [tradução portuguesa de
Lucília Rodrigues para as Publicações Europa-América]

9 comments:

Vítor Mácula said...

Claro, Teresa. Como raio se pode dizer onde fica o Norte sem saber compreender as pessoas?...

hellena corvo said...

Da mesma forma que a bússola.

Vítor Mácula said...

Huuum... mas se fôr um Norte que exija consciência, que requeira adesão interior para revelar-se como Norte, não sei se a bússola vai lá.

E como este comentário já está muito cristão, coíbo-me de ir até ao "compreender as pessoas" ;)

hellena corvo said...

Antes a Norte que tal sorte.

Cigarettes & Vinyl said...

Nem bússola, nem Norte. Não há mapa que onde caiba um coração.

Vítor Mácula said...

Olá, Hellena.

Quiçá um pouco melga, venho aqui fazer relatório de livreira gandaia, quiçá ecoante… Estava eu contemplando a banca dum pirata de rua a quem costumo comprar livros, quando vejo um livreco “Livrai-nos dos lobos”… Ora, estando eu a escrevinhar um romance em que um dos capítulos se chama “Libera nos a lupis” (anúncio de infância do Mundo de Aventuras, que devia referir-se a este mesmo livro) vejo precisamente na contracapa a expressão latina… Claro, comprei-o de imediato (2 euros e meio, ladrão!:) E não é que, quando o começo a ler no segundo café matinal, reparo que a acção se passa em Fátima… É dum tipo chamado Leonard Holton… E, segundo a edição, disse assim o New York Herald Tribune: Suspense supernatural, assassínio e conduta do Padre Bredder no caso mais tantálico da sua carreira… Folheei-o assim despreocupadamente… Mete uma condessa que patrocina corridas de automóveis e um lobisomem morto há mais de cem anos (não faço ainda a mínima como, mas promete ;)

Abre com um esclarecimento: Os locais, personagens, acontecimentos e situações descritos na presente obra são imaginários e não possuem a mínima relação com qualquer lugar, pessoa ou facto reais. E depois a primeira frase é: O sol intenso de Abril incidia impiedosamente nos montes através dos quais a estrada se estendia em direcção ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, pelo que o padre Bredder, sentado no banco de trás do táxi Mercedes não conseguia espreitar pela janela sem semicerrar os olhos.

Ça alors ;)

Um abraço

hellena corvo said...

O nome diz-me qualquer coisa. Mas não li, talvez tenha visto algum livro dele.

E o google ajuda-me: tem pelo menos um livro traduzido nas velhinhas edições DêAgá ("Anjos no Inferno") e foi ele quem escreveu a história que deu o filme "O rato que ruge" com o ... Peter Sellers.

Vi há uns tempos um livro chamado "The Third Secret" (best-seller americano) também sobre Fátima. Mas abri-o e encontrei um cardeal que quer ser papa no lugar do papa porque "quero sentir a poderosa sensação de ser infalível em tudo o que me apetecer". De modo que o fechei outra vez.

Vítor Mácula said...

Isto está a ficar muito hasard objectif… Numa primeira versão dum dos capítulos tinha eu posto em epígrafe uma frase de Eugen Drewermann: “Um rato não deixa de ser um rato, mesmo que atravesse uma vez por ano a alcatifa da sala.”

Esse “The third secret” parece menos sub-cultura, ou menos desbundado, se preferirmos…

“Anjos no inferno” espevita-me a curiosidade.

hellena corvo said...

Prefiro um lobisomem a um rato, sem dúvida.