Na noite funda o anjo escreve tanto.
Mãe, que me não falaste dos anjos, que me escondeste a assombração do mundo como se fosse possível, como se bastasse dares-me aquele quarto de almofadas azuis. Sabes, eu ficava acordada, tanto.
Tanta noite. Tanto rasgar. Lobos e fêmeas e passos e coisas escritas nos livros das prateleiras altas, e era tão longe a casa e era tão fria. Era tão perto a dança dos fantasmas velhos.
Na noite funda o anjo escreve agora. E no meu ventre a dança morta.